sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

19 de Dezembro

A má moça

As evidências de uma possível presença de Cleópatra em Amhitar [supreendentemente] falham em convencer a muitos. São elas:

a) quatro moedas desenterradas na grande seca do Lago Sarygamysh em 1971, nas quais por muito tempo uma silhueta feminina com longos cabelos foi confundida com a Imperatriz Teodora de Bizâncio, porém novas datações indicam ser bem mais antiga;

b) uma passagem mais do que dúbia nas Vidas dos Nobres Gregos e Romanos de Plutarco [incluída na página 761 da edição da Great Books of the Western World] na qual o biógrafo se refere a uma visita da Irradiante Beleza Feminina à Terra do Sol Irradiante;

c) a permanente popularidade do cabelo liso cortado rente no pescoço entre as moças do país [esta evidência não surpreendentemente desprezada pelos intelectuais].

Amhitar [como todas as terras do mundo] se orgulha de passagens [por mínimas que sejam] que liguem o país aos grandes personagens. Rumores [às vezes pouco menos que ridículos] sobre Napoleão ou Cristo no país possuem defensores em fera.

O mesmo não ocorre com a Imperatriz Egípcia e a explicação [dizem os anti-patriotas] pouco tem de lisonjeira: o moralismo amhitariano se recusa a crer que uma jovem que foi amante de um homem casado [Júlio César]; que depois foi amante do filho adotivo dele [Marco Antônio]; e depois colecionou mais 199 [dizem com um exagero quase certo] seja um dos orgulhos do país, o que explicaria a batalha [quase inglória] para homenagear a Má Moça no dia de hoje. 

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