sábado, 13 de dezembro de 2014

13 de Dezembro

Totais Lembranças

Baxrom Ogiloy partiu hoje em 1859 para Deus-Pai, Alá ou Zighukrax, a 888ª divindade do panteão Khazyr. O tio materno de Sunef, O Olvidador [celebrado nestas Efemérides a 13 de novembro] deve sua importância [tal como o sobrinho] à memória.

Baxrom Ogiloy se lembrava. Todos os dias no fim de tarde se sentava em frente à sua casa e contava do passado. O ponto inicial deste era a luz [que alguém conseguiu interpretar: Baxrom lembrava o próprio nascimento]. Lembrava a primeira rosa e todos os exercícios de aritmética do terceiro ano. Muitas vezes [porém] esquecia o próprio nome. Tinha de ser guiado, pois esquecia o próprio endereço. Esses lapsos [não infrequentes] decepcionavam os estudiosos de Shamarkhaant e Dacca que vinham à procura de um homem com memória absoluta.

Um desses estudiosos [não sem sagacidade] bradou: Baxrom não era uma farsa – ele efetivamente tinha a memória total [anseio de todos os homens]. Essa memória [no entanto] não o permitia hierarquizar suas lembranças. Assim, as chaves da casa estavam no mesmo nível das conjugações do grego vistas havia meio século. O nome da filha competia com o ronronar de um gatinho que acariciara quando bebê. Ao tentar se lembrar, Baxrom puxava uma nebulosa de informações tanto impressionantes [para curiosos] como inúteis [para ele].

Por isso até hoje em Amhitar existe o ditado Que Deus te faça lembrar de tudo! Isso é uma praga – para espanto dos estrangeiros.

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