sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

12 de Dezembro

A [i]lógica do Tempo

Zitora Zarfar conquistou a imortalidade [e também certa (talvez injusta) fama de imbecil] ao colocar hoje em 1677 dos hereges [93 do mês Morhaxxor do ano 22 do calendário Khazyr] o primeiro relógio capaz de contar a passagem do tempo de acordo com tal seita amhitariana. Não muito original – não era a primeira vez que alguém tentava um mecanismo baseado na força do vento. [Vizinhos riam de sua forma meio abutre meio urso de metal].

A lógica [ou melhor, a falta dela] diferenciava a engenhoca de Zitora – pois os seus concorrentes [movidos por uma (talvez compreensível) nostalgia do sentido] montavam seus relógios baseados em polias, alavancas e pesos que, bem azeitados, davam regularidade ao movimento e [consequentemente] ao tempo.

Os Khazyr [no entanto] abominavam a lógica [que eles (dizem) denominavam Mahgrik-ul-Ghaazudh, a Cobra Negra]. Seu calendário [e suas horas] variavam de acordo com uma tabela cujo único sentido [concluíram não poucos] era falta de um. Uma hora Khazyr podia durar de três a 339 minutos da hora cristã, sem que essa recorrência de números três implicasse qualquer regularidade. Zitora reproduziu essa lógica-sem-lógica ao colocar o vento como propulsor e regulador - nos furacões o tempo era mais rápido. Nas calmarias, não passava.

Zitora Zarfar morreu com 107 anos, onze meses e nove dias [mas como tal contagem se deu no calendário da seita, ninguém sabe com exatidão o que significa].

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