quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

10 de Dezembro

Não existe esse País

O Atlas das Sociedades Inexistentes [publicado em Shmarkant hoje em 1911] posiciona [de maneira menos que explicável] a própria Amhitar como Não-Real. [Tal fato (compreensivelmente) arrancou represálias de índole nacionalista, desde um corte de cabelos forçado de um dos subeditores da obra (o qual teve de fugir para a Terra dos Kazaks) até duas sóbrias moções de repúdio, uma no mesmo ano, da (já decadente) Academia de Ciências de Amhitar e outra (três décadas mais tarde) da Academia Soviético-Proletária da Ásia Central].

E de fato [dizem] não era para tanto. A inofensiva obra sem crédito de autor [embora o adjetivo longe esteja de ser unânime] listava a terra amhitariana como uma das civilizações efetivamente existentes, mas apenas na cabeça de seus criadores, ou de um único criador [ou ocioso sem ter o que fazer – a redundância se encontra na página CXCLX do livro]. Embora isso em princípio dê razão aos patriotas [de que o tal Atlas acusa o país de não existir] , mitiga-se ao se ler que seu conceito é bem mais amplo: os Estados Unidos [a Terra da Liberdade] também constam como país que só existiu na imaginação de Jefferson e Washington e mais meia dúzia, já que naquele país [afirmam os anônimos autores não sem certo progressismo] nunca existiu real liberdade.

A dubiedade do Atlas garante sua permanência nas datas da pátria – e também debates [que enchem os jornais sempre que as notícias rareiam] sobre a efetiva existência nacional.

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