quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

04 de Dezembro

O salvador normal

Husan Mariya salvou a cidade de Karakalpakstan das mãos dos selvagens. [Husan Mariya, lugar-tenente ou, segundo outros mais radicais, um avatar do ubíquo Donyhor al-Temurbek]. Tal prodígio de coragem é objeto de debates não isentos de amargura [os tradicionalistas afirmam que aconteceu em 26 de março de 887 (no calendário herético) e versões mais modernas o empurram para o dia 89 do mês Kheomirxx do ano 003 do calendário Khazyr; uma opinião moderada o estabeleceu na data de hoje em 1251 ou 1252, aproximadamente a mediana entre as duas primeiras].

A natureza precisa de seu feito também causou [não poucas] rixas de família [dizem]. A ideia de que teria degolado 77 inimigos [Turkmans ou Kazaks, as sub-histórias variam] tem sido abandonada [para escândalo dos conservadores] em favor de versões light, de que matou [e à de espada] apenas três, com uma subcorrente afirmando que só deu ordens, sem ter ele mesmo enviado ninguém para o outro Mundo.

Nada disso [no entanto] é mais contestado que as histórias pós a grande batalha. Husan [dizem os poucos testemunhos da época] arrotava e dormia de tarde e olhava para saias de garotas [e às vezes tinha timidez de fazer-lhes propostas] e gostava banhos de rio. Pessoas o visitavam em busca de palavras heroicas e ele lhes dava bocejos e pão e queijo [não melhores nem piores que os de todos] e falava sobre o tempo. A escandalosa normalidade do herói o fez menos louvado [talvez] do que deveria.

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