segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

01 de Dezembro

Quase mil e uma amhitares

As Noites de Amhitar não eram Mil [estimativas não inteiramente livres de pessimismo afirmam não passar de cinquenta]. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: a coletânea de histórias fantásticas de Amhitar [que permaneceu sem nome até sua tradução para o Bengali moderno e sua publicação hoje em 1827] no início numera os episódios. Depois a ordem se dissolve mas semiólogos [não sem paciência] chegaram à quantidade [ainda significativa] de 333. A necessidade de um título vendável levou o editor a rotular o volume de Os Dias Fantásticos de Amhitar.

Não os 333 Dias Fantásticos – ao orgulho [para não dizer ao machismo] amhitariano repugna qualquer comparação com uma tal de Mil e Uma Noites de uma tal Arábia [é assim que nos bares de Shmaerkaant se referem a tal obra, entre dentes]. A razão [dizem] é que sem infidelidade não existiria Sultão, nem Sherazade, nem metade [em uma estimativa tímida] das histórias que ganharam o mundo.

Evitando as anedotas de mulheres de gênios, mulheres de sultões, mulheres de vizires e até mulheres de peixeiros todas diuturnamente empenhadas na nobre arte da chifrança do marido [e que enchem a boca de Sherazade e os ouvidos do Sultão] a coletânea amhitariana sofre do terrível mal da monotonia, o que, se a torna desconhecida internacionalmente, coloca-a mais autenticamente como nacional, por ser Amhitar a grande pátria do ramerrão diário. [Evidentemente são os eternos críticos que o dizem].

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